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“Artigo” – Recife plural: o Carnaval transbordaria se tratado como um negócio

Por Mauro Ferreira Lima

Tema local ainda na ordem do dia a ser tratado. Apesar das atenções voltadas para o plano internacional, o carnaval do Recife deve ao Galo da Madrugada sua considerável repercussão nacional. O bloco foi crescendo ano a ano e se transformou no espetáculo grandioso de hoje.

Mas o carnaval, como um todo, tem potencial para se tornar um produto ainda mais “vendável” do que atualmente. O superbloco é peça fundamental nisso, mas há muito mais a ser trabalhado.

Faz-se necessário encarar o conjunto como um negócio a ser conduzido de forma mais eficiente, com “arranjos produtivos” bem integrados entre todos os seus componentes. Pela dimensão do Galo, é preciso divulgá-lo como marca líder permanente desse processo, assim como ocorre com a galinha, em Porto.

Que sejam colocados mais “galos” em locais estratégicos do Recife: rodovias que levam ao interior, arredores do aeroporto, rodoviária e todos os acessos à cidade.

Sua diversificada cadeia de operadores, participantes e fornecedores precisa ser ainda mais bem organizada, para que se torne uma força mais aglutinadora e geradora de amplas oportunidades de trabalho, emprego e renda. Para tornar o Galo, âncora do projeto, um símbolo ainda mais marcante e atraente, seu visual estático carece de dinâmica, movimento e som.

Parintins, há anos, já incorporou movimento às suas alegorias. Abre-se aí um novo campo para que o Galo tenha, quando instalado na ponte, seu canto espargido, controlado eletronicamente, para acontecer nos momentos previamente definidos.

Técnicos da área saberão como fazê-lo, tornando-o muito mais atraente e emblemático. Urge que, no próximo ano, isso já esteja concretizado. Este carnaval, tendo o Galo como âncora, com seus ritmos e tendências tão plurais, tem tudo para alcançar uma dimensão bem maior do que a atual.

Pergunta-se: por que uma cidade com tão denso patrimônio histórico, cultural, artístico, musical, arquitetônico e tecnológico ainda não transformou tudo isso em um produto consequente e unificado no âmbito da “economia criativa”?

Para explorar a grandiosidade de todo esse potencial, é preciso iniciar uma aproximação mais estreita e inovadora: partir para um projeto de união econômica e cultural com Olinda. Daí poderia surgir algo novo e inusitado para ser trabalhado promocionalmente, um projeto comum a ser desenvolvido e divulgado como “Carnaval Recife-Olinda”.

Esse projeto estaria inserido em uma iniciativa ainda maior e mais ambiciosa, denominada “Circuito Recife-Olinda”, que deveria estar permanentemente, ao menos quatro meses antes, nas vias digitais, promovendo não apenas o carnaval, mas todo o acervo histórico-cultural citado das duas cidades. Esse tema será objeto da continuação deste artigo, em breve.

Tal circuito deveria ser amplamente discutido com entidades e instituições mais representativas do empresariado e, de forma mais ampla, da sociedade civil local.

Seria a consolidação do desenvolvimento de uma “economia criativa” que urge ser adotada oficialmente pelas administrações das duas cidades, visando ao fortalecimento desses “arranjos produtivos” plurais, capazes de aglutinar e organizar melhor um potencial rico e ainda pouco explorado.

Temos tudo para chegar a isso.

Que o poder público observe o que se faz em Salvador e traga para o Recife o que de melhor lá acontece. Em termos de visão e organização empresarial, a festa que lá se realiza reverbera em todo o país.

Aprendamos!

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